segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Uso e necessidade de substâncias enraizadoras para orquídeas

Colaborei com a reportagem O uso de hormônios no cultivo das orquidáceas na revista Como Cultivar Orquídeas nº 52 que se encontra nas bancas por agora.

Na reportagem há alguns comentários meus, obtidos a partir de algumas questões que eu respondi para a jornalista da matéria Renata Puinatti.

Assim como fiz em uma outra vez quando o tema foi adubação de orquídeas (post Adubação de orquídeas), transcrevo aqui na íntegra as questões que me foram passadas e respondidas.

Este tema já tratei aqui (O uso do AIB em orquídeas) tem alguns anos já, agora aqui um complemento.


1.     Existem fitorreguladores naturais e sintéticos. Explique a diferença entre eles. Eles também agem de maneira diferente?

Fitorregulador é um termo bastante genérico, define-se por toda e qualquer substância capaz de influenciar o crescimento e desenvolvimento vegetal. Existem vários tipos de fitorreguladores que vão de naturais a artificiais, hormônios vegetais (ou fitormônios) se incluem no primeiro grupo. A substância AIB (ácido indol butírico) é uma substância artificialmente desenvolvida para substituir o AIA (ácido indol butírico), que é naturalmente sintetizado e artificialmente tem sua síntese bastante cara, além de ter sua conservação mais complicada, no entanto, o AIA é mais eficiente que o AIB, ou seja, menores doses de AIA acarretam em efeitos compatíveis com maiores doses de AIB.

2.    Como esse hormônio age nas orquídeas?

Existem vários tipos de hormônios, ou fitorreguladores artificiais que os imitam, e cada um com funções específicas, por exemplo: as auxinas (AIA) estão envolvidas no alongamento celular, deixam os pseudobulbos e as raízes compridas; o etileno e o ácido abscísico induzem a senescência, ou seja, amadurecimento e a queda de folhas e frutos, o que passa pelo reaproveitamento ou ciclagem de nutrientes internamente no corpo da planta; a giberilina está envolvida na quebra de dormência das gemas de brotação em resposta à estação do ano; as citocininas estimulam as divisões celulares, ou seja, a formação das gemas.

O que é importante não é tão somente a concentração de cada um dessas substâncias nas plantas, mas o equilíbrio entre elas acarretando em diferentes consequências nas plantas.

3.    Essas substâncias podem ser compradas em orquidários e garden centers?

Sim, especialmente o AIB que serve para estimular o enraizamento e é dos fitorreguladores de uso melhor compreendido. Há diversos nomes comerciais já bem famosos. 

Existem também suplementos minerais ricos no micronutriente zinco, que é vendido para o fim de enraizamento. O zinco faz parte de uma enzima envolvida na produção de AIA pela planta, e seu uso pode ser uma alternativa interessante, pois para a aquisição de fitorreguladores é necessária um receituário agronômico.

4.    Como é feita a aplicação na planta, em que frequência e em qual estágio da vida da planta? Em que circunstâncias costuma ser utilizado? E por que? Qual o resultado alcaçado? Quando é realmente necessário utilizá-lo e quando deve ser descartado seu uso?

Preferencialmente deve-se aplicar algum enraizador uma vez só, no transplantio, para dar uma alavancada inicial na planta. 

No dia a dia, plantas bem adubadas e com substratos arejados não terão problemas de falta de raízes, então não se justifica a aplicação de estimulantes radiculares. 

Já fitorreguladores com outras finalidades, como florescimento, tem seu uso bastante restrito, e há poucas informações referentes às doses nas diferentes espécies.

5.    O hormônio regulador é prejudicial ou benéfico às orquídeas?

Aquela história de que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose se aplica aqui também, pois há benefícios como nas condições citadas acima, mas dependendo da dose, por exemplo, alguns enraizadores podem ter ação de herbicidas, comprometendo e até matando as plantas.

6.    Todas as orquídeas podem receber doses desse tipo de hormônio ou existe alguma restrição?

A princípio os fitorreguladores para o enraizamento podem ser utilizadas para  qualquer planta, mas há lacunas científicas quanto ao tipo, modo, época e dose das substâncias a serem mais eficientemente aplicadas.

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A entrevista acabou aqui.

As plantas das fotos a seguir não receberam aplicações de estimulantes de enraizamento, ilustrando que não são necessárias aplicações periódicas de estimulantes para o enraizamento das orquídeas.

Cattleya walkeriana.

Cattleya labiata alba - recém transplantada para o cachepo em que está. No detalhe substratos de toquinhos de madeira proporcionando bastante arejamento e saúde das raízes.

Outros exemplos de plantas com boas raízes - No alto na esquerda Potinara Red Crab e à direita Hadrolaelia jongheana. Embaixo à esquera Cattleya labiata e à direita Epidendrum fulgens.

Cattleya bicolor emitindo novas raízes naturalmente logo após o completo desenvolvimento do mais novo pseudobulbo na touceira.
Agora abaixo alguns exemplos de plantas definhando em péssimas condições de substratos que danificaram as raízes (já muito discutido em outros posts), após a retiradas de plantas nessas condições de seus vasos e completa remoção do substrato velho, é interessante a aplicação de AIB para alavancar o enraizamento inicial das mesmas:



A seguir uma das maneiras de se aplicar solução diluída de AIB, 1 a 2 gotas no rizoma entre o primeiro e terceiro pseudobulbos:



9 comentários:

Helio Marodin disse...

Meu Nome é Helio Marodin, sou engenheiro e orquidófilo desde 1971. Recentemente (re) iniciei a cultivar orquídeas de sementes e deparei-me com esse blog que em edições anteriores tratava de problemas encontrados na propagação assimbiótica.
Eu tenho me deparado com o problema de formação de raízes "aéreas" dentro dos frascos de alguns cruzamentos (as raízes crescem para fora do meio de cultura em vez de crescerem "dentro" do meio de cultura.
Na verdade esse fato só se torna um problema quando vou repicar as mudinhas para outro frasco maior, pois as raízes "aéreas" se quebram com facilidade.
Outro problema é que em alguns frascos as raízes se desenvolvem bem demais, formando verdadeiros novelos deixando o crescimento da parte aérea da planta prejudicada. Chega ao ponto de a planta ser só raiz.
Tens alguma sugestão do que pode estar acontecendo? Alguma solução possível.
Meu e-mail é helio@microcia.com.br
Agradeço qualquer sugestão que possa me dar.
Atenciosamente
Helio Marodin

Oliveira, Carlos disse...

Bom dia Hélio, eu estou começando agora e gostaria de sanar uma dúvida. No fim do artigo vc pinga duas gosta nas raízes da planta.

Vc saberia dizer qual é a concentração de AIB nessa solução do frasco ? Aqui na minha região eu só encontrei o AIB 100% puro, vendido no grama - e preciso saber a concentração correta pra poder diluir o meu.

obrigado,
Carlos.

franskaf disse...

Locatelli, como você faz a diluição do AIB?
Uso supertrive e penso se seria correto aplicar uma a duas gotas direto no rizoma, ou se é necessária a diluição com álcool antes da aplicação. Ee em qual proporção?

Muito obrigado.

Anônimo disse...

Prezado Locatelli, Adorei o seu blog.
Cultivo orquídeas. Algumas das minhas orquideas estão com folhas enrrugada apesar de serem molhadas pelo menos 2 vezes por semana. Gostaria que me ajudasse no sentido de identificar e resolver este problema.

Ana Carminda disse...

Lindo o blog de orquídeas! Parabéns!!
Eu também estou fazendo um blog sobre orquídeas: http://anacarminda.blogspot.com.br/
Faça uma visitinha!

*May disse...

Prezado amigo,
preciso muito de sua ajuda, estou com 6 orquídeas doentes e não sei mais o que fazer, tenho várias dúvidas que não consigo a resposta em lugar nenhum, já estou desesperada e com medo de minhas orquídeas morrerem. No RJ está muito chuvoso desde que começou o ano, praticamente todos os dias chove e isso colaborou para o aparecimento de um fungo (eu acho). Se puder me ajudar com sua opinião, passe no meu blog, veja minha última postagem onde relato todo o problema, tudo o q já fiz e as fotos das orquídeas,e me dê sua preciosa opinião.
Desde já agradeço muito, sou sua seguidora e adoro seu blog, está de parabéns por todas as dicas que fornece.
Um abraço,
Mayara Gaglianone

Roberto Andrade disse...

Olá Locatelli. Quando vc fala de AIA, quer dizer 'Ácido Indol Acético' ao invés de 'Ácido Indol Butírico' (que é o AIB), certo?

Orquidário WilGis disse...

Achei excelente este uso do AIB, por favor onde encontro o produto?

Anônimo disse...

Boa noite carlos. Vc teve resposta de como fazer a diluição do AIB?
Caso positivo, poderia me repassar a informação? Grto pela atenção.
Manoel nenoenilza@hotmail.com